* Márcio Alexandre
Ser professor, pra mim, sempre foi sinônimo de luta. Pelo outro e por mim mesmo. Sempre foi, ao mesmo tempo, uma dádiva. Principalmente pra mim. Realizo-me nesse benfazejo ofício. Vejo como sacro. Imaculado. Bênção divina.
Inspirando-me em grandes mestres que tive, me vi, “de repente, não mais que de repente “, apaixonado pelo fazer pedagógico. Pelo ato educativo.
Recebido como primícia, cuido dele com denodo. Desenvolvo-o com afinco. Cuido dele com amor. Exerço-o com compromisso e responsabilidade.
Tenho-a como um ofício-dever. E devo dizer que o dever não é apenas com as tarefas da aula. Com os compromissos extrassala. Ser professor é assumir um múnus público dos mais importantes.
Educar é realizar ações de cidadania. É querer o outro sempre melhor que nós. É não se conformar com injustiças. É não calar com barbaridades.
Às vésperas de completar 22 anos de sala de aula, vejo-me feliz, apesar de estarmos desempenhando, eu e meus colegas mossoroenses, a docência no pior momento da história da educação de Mossoró.
Vivemos sob a égide do pior gestor que a cidade já teve. O engenheiro Allyson Bezerra (União Brasil) não é só um incompetente para a educação.
É um tirano com vestes de gestor. Um ditador travestido de prefeito. Um inimigo da educação. Um algoz dos educadores.
Nos persegue, querendo tirar de nós nossa autoridade pedagógica, nosso lugar de fala, nossa legitimidade docente.
Nunca, como hoje, foi tão necessário dar à reflexão a necessidade da luta. À celebração a necessária resistência.
Sou realizado como educador. Sou feliz como professor. Apesar de Allyson. O ofício docente é maior do que qualquer coisa. Principalmente dos pequenos de espírito. Dos vis de sentimentos.
Feliz Dia de Resistência a todos os colegas professores. Especialmente para os que precisam combater os carrascos que se acham importantes. Não importa onde estejam. Estarão sempre no esgoto da História. “Eles passarão. Nós passarinhos”.
* Professor e jornalista
Ilustração: Getty Image